Lançamentos 2026: o que entra na curadoria e por quê
Os lançamentos do ano convergem em três direções — menos ruído visual, mais textura ao toque e superfícies cada vez maiores.

Uma leitura, não uma lista
Todo ano chega uma enxurrada de lançamento, e todo catálogo apresenta o seu como se fosse o único. Quem está com um projeto na mesa não precisa da lista: precisa saber para onde as coisas estão indo e o que disso serve.
Vendo os lançamentos de 2026 lado a lado — Decortiles, Roca e as demais marcas da nossa curadoria —, três direções aparecem com clareza.
Direção 1 — Menos ruído visual
A superfície deixou de disputar atenção. Os lançamentos de maior relevância do ano são de desenho contido: pedras de variação difusa, cimentos de textura uniforme, cotto de graduação suave.
Isso é uma correção de rota. O ciclo anterior foi dominado por mármores de veio marcado — dramáticos, fotogênicos e cansativos quando ocupam área grande. A resposta do mercado foi voltar para superfícies que funcionam como fundo.
Exemplos do ano: a família de cimento contemporâneo em tons neutros, os efeitos limestone e travertino de desenho discreto, e os cottos com três intensidades gráficas — que permitem escolher quanta variação você quer, em vez de aceitar a que veio.
O que isso significa para o projeto: ficou mais fácil fazer ambiente calmo sem que ele fique vazio. E ficou mais difícil justificar mármore de veio forte em piso de área social inteira.
Direção 2 — Textura que se sente, não só que se vê
O segundo movimento é tátil. Caneladas, micro-relevos, baixo-relevos côncavos, superfícies 3D — o ano trouxe mais opções de relevo do que de cor nova.
Isso tem uma razão prática. Com o acetinado consolidado como padrão de acabamento, o relevo virou o recurso para criar hierarquia dentro de uma paleta única: a parede de destaque não muda de cor, muda de textura. É o que sustenta o total-look sem torná-lo monótono.
Na mesma direção estão as tecnologias de aderência — como a Soft Tec, da Roca, que entrega atrito úmido de 0,40 mantendo toque sedoso. O efeito prático é que o acetinado passou a atender área molhada, e o projeto ganhou continuidade do estar ao box.
Vale notar também a volta da madeira em versão sensorial: tábuas longas, muitas faces de variação, tons quentes. Depois de alguns anos de cimento e pedra, a madeira voltou como material de aconchego, não de rusticidade.
Direção 3 — SuperFormatos
O terceiro movimento é de escala. Formatos de 120 × 250, 160 × 160 e 160 × 320 cm deixaram de ser exceção de projeto especial.
O que eles resolvem:
Painel contínuo — uma parede inteira com uma peça só, sem junta nenhuma.
End match — peças desenhadas para dar sequência ao veio de uma para a outra, o que reproduz o comportamento de uma chapa de pedra.
Bancada e revestimento de volume com espessura fina e sem emenda aparente.
O que eles cobram: logística, equipe habilitada para manuseio e decisão antecipada. SuperFormato não é escolha de última hora — passa por acesso à obra, elevador, vão de escada e disponibilidade de instalador.
Nossa recomendação: SuperFormato para o plano que é protagonista — uma parede, uma bancada, um painel de TV. Para o restante do ambiente, o formato convencional resolve melhor e com menos risco.
O que a curadoria mantém de fora
Uma curadoria se define tanto pelo que entra quanto pelo que fica de fora. O que não priorizamos este ano:
Efeitos de moda de ciclo curto — desenhos com assinatura de época datam o projeto junto com a época.
Polido em área molhada — mesmo com tratamento, não é a escolha que recomendamos onde há água e pé descalço.
Séries com poucas faces de variação — a repetição aparece instalada, por melhor que a peça seja isolada.
Como usar esta leitura
Defina a direção antes da série. Fundo calmo ou plano protagonista? A resposta elimina metade do catálogo.
Decida a escala cedo. SuperFormato muda logística, prazo e equipe.
Veja o relevo na luz do projeto. Textura é o recurso do ano, e é o que menos se avalia por foto.
Nossa equipe acompanha os lançamentos das marcas da curadoria e monta a comparação com as placas na mão — que é a única forma honesta de decidir entre duas superfícies parecidas.






